
Se a sua marca fosse um carro, qual seria?
A Vantagem do Bem-Estar Digital (Ep #12)
Matej e Paul recebem a arquiteta de marca e designer Lana Stojan Zavasnik (Formingbrands.si) para explorar o que essa pergunta realmente revela sobre marcas B2B, fundadores e a forma como nos comunicamos em um mundo digital cada vez mais complexo.
Preparando o Cenário
A maioria dos líderes B2B consegue falar por horas sobre produtos, recursos e detalhes técnicos. Mas basta fazer uma pergunta simples como “Se a sua marca fosse um carro, que carro seria?” para que algo mais profundo venha à tona: personalidade, valores, prioridades e o quanto você está realmente preparado para um mercado que nem sempre oferece uma estrada lisinha.
Neste episódio, Lana usa essa analogia do carro para abrir conversas sobre estratégia de marca com empresas B2B de tecnologia e manufatura. A mensagem é clara: em um mundo em constante mudança, a sua marca precisa ser mais do que um logo bonito. Ela precisa se comportar como um veículo bem preparado, capaz de seguir em frente quando o asfalto termina.
Conheça os Convidados
O host Matej conta com a presença do coapresentador Paul e da convidada especialista Lana Stojan Zavasnik, arquiteta de marca e designer com mais de 25 anos de experiência em bens de consumo, manufatura e tecnologia B2B. Lana já foi diretora de criação, designer sênior de marca, gerente de marketing e de produto e, hoje, ajuda pequenas e médias empresas B2B a parar de “queimar dinheiro com marketing” e começar a construir marcas com estrutura, profundidade e resiliência.
Para abrir a conversa, Matej pede que os convidados escolham um carro para representar a própria marca:
- Lana escolhe um Land Rover Defender - quadrado, prático, com escapamento acima do teto, feito para continuar quando não há mais estrada. É assim que ela enxerga uma marca saudável: preparada para desvios, imprevistos e terrenos difíceis.
- Paul escolhe um clássico MGB roadster britânico, customizado e íntimo, desenhado para duas pessoas e uma pequena mala. Na visão dele, uma marca pode ser criada como um carro único e belíssimo, que reflete uma filosofia de design muito pessoal.
- Matej imagina um Porsche antigo feito para passeios lentos pela costa: simples, elegante, não necessariamente prático em todas as situações, mas cheio de emoção e caráter.
Já nas primeiras respostas fica evidente: a maneira como você descreve o “carro da sua marca” diz muito sobre como enxerga o seu negócio.
Principais Aprendizados
- Sua marca não é o seu logo - é a sensação que os clientes têm quando vivem a experiência com você em todos os pontos de contato.
- No B2B, marca e personalidade do fundador estão intimamente entrelaçadas; perguntas sobre hábitos e preferências do dia a dia podem revelar o DNA essencial da marca.
- B2B continua profundamente humano a humano: relacionamento, confiança e comunicação de longo prazo importam tanto quanto qualidade de produto.
- Personalização deixou de ser opcional; é uma vantagem estratégica em mercados onde produtos e tecnologias são cada vez mais parecidos.
- Um ritual anual simples de elevator pitch, em frente ao espelho, pode revelar se a sua marca está evoluindo ou travada.
Assista à conversa completa
Por que este episódio importa
Marca versus logotipo: um equívoco comum no mercado B2B.
Uma das experiências mais frequentes de Lana com clientes B2B é a crença de que marca é igual a logotipo. Ela conta o caso de um cliente que, orgulhoso, entregou um pen drive dizendo: “Aqui está a nossa estratégia de marca”, e lá dentro havia apenas um arquivo JPEG com o logo.
Para Lana, esse é o grande equívoco:
- Um logo é uma ferramenta.
- Uma marca é uma sensação - um mosaico construído a partir de cada ponto de contato em que as pessoas encontram a sua empresa.
No B2B, esses pontos de contato são inúmeros: site, feiras, redes sociais, fóruns, atendimento ao cliente e cada pessoa que representa a organização. Em uma equipe de 30 pessoas, se 20 não gostam do trabalho, essa falta de entusiasmo inevitavelmente vai aparecer, independentemente do que dizem as mensagens oficiais.
O Fundador como Motor da Marca
Lana trabalha principalmente com pequenas e médias empresas B2B em que os donos também são líderes operacionais. Nesses negócios, a linha entre fundador e marca é bem fina. Para acessar esse nível mais profundo, Lana utiliza perguntas que, à primeira vista, parecem não ter relação com o negócio:
- Como você gosta do seu café?
- Qual é a sua rotina de fechamento quando termina o expediente no escritório?
Esses detalhes ajudam a entender o ritmo, as prioridades e o cenário emocional do fundador. Depois, essa informação influencia tudo – da identidade visual ao estilo de comunicação.
Ao mesmo tempo, Lana enfatiza o timing e o consentimento. Quando entra em uma empresa, ela enxerga muito mais do que questões de design: percebe estruturas, cultura e lacunas de estratégia. Mas só aprofunda o trabalho de branding quando o fundador está pronto. Mudar dá medo. Olhar para dentro é desafiador. Se há resistência demais, ela prefere respeitar a limitação a forçar o processo.
B2B como interação entre humanos
A discussão então compara B2B e B2C. Enquanto o B2C trabalha muitas vezes com avatares anônimos de clientes, o B2B ainda se apoia em relacionamentos genuínos. Um vendedor e um comprador podem se conhecer há anos, trocar mensagens em datas especiais e acompanhar marcos importantes da vida um do outro.
Para Lana, esse paradoxo é importante:
- Falamos em business-to-business, mas por trás de cada decisão existem pessoas.
- Um comprador B2B escuta de maneira diferente quando compra para a empresa do que quando está em casa rolando a tela como consumidor, mas o cérebro humano e as emoções são os mesmos.
Paul destaca outra camada: em setores como o automotivo, os produtos hoje são mais parecidos do que nunca em qualidade e preço. As tecnologias se espalham rapidamente. Sem personalização real em produto, comunicação e vendas, torna-se difícil sustentar a diferenciação no longo prazo.
Lana concorda, mas acrescenta outro paradoxo: as gerações mais jovens muitas vezes se parecem visualmente, vestindo-se de forma semelhante para pertencer ao grupo, e ao mesmo tempo estão sedentas para serem tratadas como indivíduos. Para navegar isso, quem trabalha com arquitetura de marca precisa não apenas de design, mas também de psicologia aplicada e noções básicas de neurociência – entendendo como as pessoas realmente tomam decisões e processam informações.
Um teste anual simples para a sua marca.
Para encerrar o episódio, Matej pede a Lana uma dica prática que um CEO B2B possa aplicar imediatamente. O “diamante” dela é simples:
Uma vez por ano, coloque um lembrete no calendário para ficar em frente ao espelho e dizer, em voz alta, o seu elevator pitch.
Se quiser, grave esse momento. Depois, compare ano a ano:
- Se o pitch nunca muda, é um sinal vermelho - o mundo mudou, os clientes evoluíram e provavelmente você também.
- Se você hesita ou tem dificuldade para explicar o que faz nesse espaço de um minuto, é outro sinal vermelho.
O objetivo não é reinventar a marca todos os anos, e sim manter a consciência ativa. Os mercados se movem, você aprende, o negócio amadurece. O seu pitch deveria refletir, aos poucos, essa evolução.
Pronto para o próximo nível?
Se você é CEO ou fundador de uma empresa B2B, pergunte a si mesmo:
- Que tipo de carro a minha marca seria?
- Ela sobreviveria quando a estrada lisinha acabasse?
- Nossos pontos de contato diários refletem a sensação que queremos que os clientes tenham?
Este episódio é um convite para olhar além de visuais e campanhas e tratar a sua marca como um sistema integrado - um sistema que conecta estratégia de negócio, pessoas e relacionamentos de longo prazo.
Assista ao episódio completo no YouTube e considere usar o ritual anual de elevator pitch da Lana como uma forma simples de manter a marca honesta e viva.
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